sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Os Livros Que Gostei 13

Esfinge, publicação da Editora Infinitum, assim como Coelho Neto é conhecido provavelmente por um seleto grupo de fãs da boa ficção científca e não precisaria de maiores apresentações, se a obra assim como o autor não tivessem sido literalmente esquecidos. No entanto, os jovens leitores, em especiais que apreciam o gênero fantástico, precisam conhecer tão bela obra de nossa literatura.

Uma de muitas obras do autor que escreveu romances, peças de teatro e até roteiro de cinema. Coelho Neto também era contista e cronista e usava diversos pseudônimos entre eles, temos nomes como Ariel, Amador Santelmo, Blanco Canabarro, Charles Rouget entre outros. E assim como seus diversos nomes, o autor também se aventurou por diversos gêneros literárias, mostrando criatividade e talento de sobra.

Então como um grande escritor pode ter sido esquecido assim? Alguns culpariam a Semana da Arte Moderna e seus radicais da época, eu culpo o 'ser radical'. Não é odiando algo, que vai fazer a sua ideia ser melhor, é pelo argumento e esclarecimentos que duas boas ideias criam a evolução. Eu aprendi a gostar dos modernistas, mas lamento perceber que no fundo, eram tão "caretas", quanto seus pais tradicionalistas, ao ponte de renegarem o trabalho de alguém como Coelho Neto.

E por causa de ignorância e radicalismo, o homem que batizou o Rio de Janeiro de Cidade Maravilhoso foi esquecido, assim como suas obras que, infelizmente, em grande maioria são raras e de difícil acesso. Por isso é um prazer ter a chance de ler essa obra, renovada e colocada de volta a luz, graças a iniciativa maravilhosa da Editora Infinitum, ao resgatá-la da obscuridade.

Esfinge é considerada uma das principais obras da literatura fantástica nacional, um dos primeiros romances fantásticos com elementos de ficção científica somado ao sobrenatural. E 100% brazuca! A obra foi brilhantemente revisada e adaptada para melhor compreensão, contando inclusive com uma prática nota de roda pé, que basta clicar para saber do que se trata e uma nova clicada para retornar de onde parou. Além do belo prefácio escrito pelo editor da Infinitum, Daniel Cavalcante, que foi muito bem intitulado "O príncipe esquecido", onde conhecemos um pouco sobre o autor e seu trabalho.

A história do Esfinge mostra uma trama intrigante, personagens interressantes e carismáticos, toda ambientada no início do século XX. O que dá ao leitor uma visão da vida de uma época, mostrando inclusive a famosa boêmia e suas figuras marcantes. O leitor é levado pelas ruas cariocas de um época já passada, mas nunca esquecida.

Seremos apresentados a personagens interessantes como Miss Barkley, a dona de uma pensão familiar e os hóspedes do lugar, como o rabugento Bernaz, o hóspede mais antigo; Miss Fanny, a professora e o debochado Basílio. Além do misteriosos James Marian, o retraído e excêntrico inglês, que com seus estranhos modos causa reações diversas, que vão de irritação a curiosidade, repulsa e atração; entre outras figuras intrigantes que transitam pela pensão e pela história de Coelho Neto.

Uma das coisas que mais gostei no livro, é ter a chance de ler uma boa história de literatura fantástica, ambientada no Brasil. Falando de lugares bem familiares, como a Praia de Botafogo e o Largo do Machado, no Rio de Janeiro, mas de um tempo distante do meu. Isso foi como viajar numa máquina do tempo. Afinal o livro se passa a quase 100 anos atrás.

Uma obra fantástica em todos os sentidos, que possui até referências clássicas bem colocadas. Um livro que deve ser lido pelas novas gerações de leitores e lembrado. Em formato de e-book, essa edição da Infinitum de Esfinge tem 137 páginas com gosto de quero mais.


Coelho Neto nasceu em Caxias, Maranhão, em 21 de Fevereiro de 1864. Coelho Neto foi o autor mais lido de sua época, sendo apelidado de “Príncipe dos prosadores brasileiros”. Prolífico, deixou 112 obras, dentre as quais romances, contos, crônicas, peças de teatro e roteiro de cinema. Aventurou-se por diversos gêneros e escolas literárias como o naturalismo, impressionismo, regionalismo, realismo e simbolismo.

Escreveu sob diversos pseudônimos, fundou a cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras, instituição da qual foi presidente em 1926. Deu o título de Cidade Maravilhosa ao Rio de Janeiro e escreveu o roteiro de um filme com o mesmo nome.

Apesar de sua grande importância e contribuição para a literatura brasileira, foi injustamente esquecido e relegado após o surgimento do movimento modernista.

(Texto sobre o autor da Editora Infinitum.)


Página do livro na Editora Infinitum:
http://editorainfinitum.com.br/2011/03/esfinge-coelho-neto-2

Site Oficial da Editora Infinitum:
http://editorainfinitum.com.br

Twitter Oficial da Editora Infinitum:
@ed_infinitum

Nenhum comentário:

Postar um comentário