domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mulheres Fantásticas e suas histórias

Três notícias interessantes foram divulgadas esse mês, envolvendo as autoras Anne Rice, J.K. Rowling e Stephenie Meyer. O que me fez lembrar da Anne Rice na Bienal do Livro RJ 2011 explicando aos fãs seus motivos para finalizar as Crônicas Vampirescas.

Infelizmente quando se é fã, temos a ilusão que os autores precisam escrever para sempre. No entanto, foi com J.K. Rowling, anos atrás, que entendi os motivos da Anne Rice. Harry Potter é uma série literária incrível, por ter começo, meio e fim.

A verdade é que toda boa história precisa de um fim, não adianta editoras e fãs acharem que os autores precisa escrever eternamente sobre seus personagens favoritos. Se tem história eles irão escrever, com todo prazer, mas se não há, não adianta insistir.

Eu aprendi a parar de ser aquele fã que vive esperando continuações (tanto em livros como em filmes). A não ser que o(a) autor(a) já tenha falado que a história ainda não terminou. Por isso estou feliz com os novos projeto de Anne Rice e J.K Rowling.

Enquanto Anne Rice lançou esse mês, lá nos Estados Unidos, seu novo livro The Wolf Gift, que tem foco em lobisomens. J.K. Rowling revelou que em breve teremos um novo livro, só que o lançamento será para os adultos. O livro será publicado pela Little Brown, que ainda não divulgou maiores detalhes. Já a autora declarou que embora tenha gostado de escrever a série Harry Potter, que seu próximo romance será muito diferente.

Quanto a Stephenie Meyer, não é uma boa notícia, pelo menos não para a autora.

Sabe, eu vivo ouvindo fãs reclamarem dos filmes baseados em seus livros favoritos. Mesmo que a frase clichê "o livro é melhor que o filme", na maioria dos casos, não tenha fundamento, pois o problema para esses fãs é que o filme tem que ter TODOS os detalhes da obra literária.

Quem é profissional na área de cinema sabe o quanto adaptar um livro com mais de 100 páginas é complicado e não é para qualquer um. O que importa no cinema para a adaptação ser boa, é manter a essência primordial da história e não agradar fã que quer cada detalhes do livro nas telas... Se não gosta de adaptação de livro para o cinema, não veja. Já imaginou a saga Harry Potter na integra? Impossível de produzir.

Filme de adaptação de livro só deve ser feito além dos padrões de um filme normal, com longa duração ou dividido em várias partes, se realmente for relevante para a história. Dividir filme só para arrecadar mais, vai correr o risco de perder o público geral e ficar restrito aos fãs que até dão lucro para os estúdios vendo várias vezes os filmes. Porém é ai que está a diferença entre um filme tipo Titanic e um Senhor dos Anéis. Todo mundo já deve ter visto Titanic, ou pelo menos sabe do que se trata, mas nem todos conhecem o Senhor dos Anéis.

Porém a Summit Entertainment, comprada pela Lionsgate recentemente, quer arriscar com os fãs da saga Crepúsculo e continuar a produzir filmes com os "vampiros" de Stephenie Meyer, mesmo após a autora dizer que sua saga está concluída.

Falem o que quiser dela, mas assim como J.K. Rowling e Anne Rice, Stephenie Meyer escreveu uma boa história, dentro do gênero proposto, a qual tem começo, meio e fim. Porém os novos donos da franquia revelaram que possuem intenções de fazer novas produções com os personagens da saga. Talvez novos longas ou até mesmo uma série de TV. O que aborreceu profundamente a autora. O problema é que o estúdio não mostrou se importar com o fato da autora ter finalizado sua história, parecendo disposto a investir em novos roteiros com ou sem ela.

A saga Crepúsculo já tinha finalizado a história nos três primeiros livros. Para quem leu os livros, não é difícil de perceber que a história é uma trilogia, desenvolvida com foco só no casal. Personagens secundários são pouco desenvolvidos e, por isso, a história fecha perfeitamente no livro 3. Já o quarto livro, se não foi escrito por pressão da editora, provavelmente, foi uma forma da autora agradecer aos fãs dando-lhes um extra da história. Um carinho com os fãs mais apaixonados, tanto que a forma como foi escrito, difere muito dos três primeiros.

Por isso eu entendo Stephenie Meyer não quer escrever continuações. Inclusive ela revelou seu aborrecimento a uma famosa revista americana, a Variety: "Stephenie Meyer ficou muito irritada com a Lionsgate, a qual revelou sua pretensão de fazer mais filmes de Crepúsculo. Ela não tem nenhuma intenção [de escrever novos livros]", informou repórter da revista via Twitter.

Infelizmente se não tiver uma cláusula no contrato que impeça o estúdio de fazer roteiros por conta própria, provavelmente a autora vai ter que engolir histórias com seus personagens escritas por outros. Porque o estúdio não quer deixar de lucrar com a história de Bella e Edward. A franquia é altamente lucrativa e os fãs parecem querer muito novos filmes, só não se sabe se estarão dispostos a ver fanfiction cinematográficas da saga Crepúsculo.

Anne Rice também já sofreu nas mãos de estúdios, especialmente durante da produção do A Rainha dos Condenados. Chegou a falar na Bienal carioca sobre o tormento que foi a produção do filme para ela.

Eu sempre gostei do filme, que acho muito bem feito. Porém, no que diz respeito a roteiro adaptado de livro, é uma porcaria. A questão é, se você nunca leu os livros de Anne Rice e gosta de histórias de vampiros, o filme é super indicado. Porém quem é fã e buscava um filme com o mínimo de fidelidade ao livro, como acontece com Entrevista com o Vampiro, é uma decepção. (Mesmo com a brilhante atuação do Stuart Townsend como Lestat, que seria a única parte fiel ao livro, se pelo menos tivessem produzido o ator como fizeram com o Tom Cruise.)

O que aconteceu com Anne Rice e acontece com a Stephenie Meyer, é uma boa lição para os autores. Porque os estúdios geralmente querem fazer boas adaptações, mas o foco ainda é o lucro e não vão resistir a ideia de ganho fácil, mesmo que seja deturpando uma história completamente. Por isso o bom é seguir o exemplo de J.K. Rowling e apostar não só em um bom contrato, como exigir ser consultora dos filmes, para tentar protejer da melhor forma a integridade de sua obra.

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