quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Anne Rice no Rio: O dia que as beatas atacaram os vampiros

Ao som de 'People Are Strange', cantada por Jim Morrison da banda The Doors, que começo esse primeiro post sobre a minha saga para ver Anne Rice.

Não seria um 7 de setembro como tantos outros, com parada militar no centro do Rio e descanso na frente da TV, isso eu tinha certeza. O 7 de setembro seria diferente, seria vamp... Porém ao chegar RioCentro, onde acontece a Bienal do Livro RJ, por volta das 6 e pouca da manhã, o que encontrei foi um grupo de beatas que haviam madrugado para ver um dos padres famosos aqui no Brasil, por fazer missa-show, cantar, escrever...

Ok, até ai nenhum problema. Perguntei ao segurança na portaria do RioCentro se quem ia ver a Anne Rice, tinha que ficar na fila formada pelas beatas do padre do lado de fora e ele disse que não.

Fui a primeira a chegar diante dos portões de entrada do RioCentro e estava feliz da minha vida, afinal eu ia ver a minha amada-idolatrada-salve-salve Anne Rice, famosa por suas crônicas vampiresca e a mãe do meu adorado vampiro Lestat. O problema foi quando as beatas chegaram em fila e começaram a fazer a maior confusão, dizendo que todos na entrada no pavilhão laranja, tinham furado a fila para ver o padre, que elas estava desde sei lá que horas da madrugada na lá fora.

Rolou de tudo. Briga, gritaria, cantoria religiosas e eu continuei diante dos portões, mesmo que algumas tivesse entrado na minha frente, alegando que eu não ia passar na frente delas para comprar o ingresso para ver o padre. E por mais que eu falasse que não era católica, que nem sabia que o padre estaria na Bienal e que tinha convite... Ela não ouviam. As beatas não conseguiam entender que a fila não era só para ver o padre, tanto que queriam fazer uma corrente de oração com todos na fila durante a espera. Insistindo na ideia que todos estava ali pelo tal padre. Aborrecendo não só quem estava ali pela Anne Rice, ou por outro autor que ia autografar no dia, mas aqueles que são leitores e frequentadores da feira a anos, como eu. Era evidente que o grupo de beatas e suas famílias, nunca estiveram numa Bienal do Livro, algumas se vestiam como se fosse a uma missa, salto alto e roupas muito formais para uma feira de livros. Além de serem extremamente desrespeitosas com aqueles que não seguiam a mesma religião e estavam ali pelos autores e os livros.

Pior de tudo é que ninguém da organização da Bienal apareceu até 10 minutos antes de abrir, quando a bagunça estava instalada e na hora que os portões da entrada começaram a abrir as beatas empurraram as pessoas, não se importando nem com as crianças na fila com seus pais, apavoradas em meio aquelas turma de religiosos enfurecida.

Todos que frequentam a Bienal carioca, sabem que os portões abrem para fora e que não devemos ficar grudados atrás deles, mas as beatas ensandecidas empurram todos contra os portões, sem dar chance de qualquer reação. Eu fui uma que literalmente fui assada por ela. Consegui sobreviver, mas meu óculos escuro, que estava na minha cabeça, ficou em pedaços. Atitude lamentável, especialmente para quem se diz povo de deus, mas os verdadeiros culpados da confusão são os organizadores da Bienal, que não fizeram nada mais cedo, já que viram a fila das beatas do lado de fora do RioCentro, quando chegaram para mais um dia de trabalho.

E foi então que nesse dia memorável, que os fãs de vampiros levaram uma verdadeira surra das beatas ensandecidas do padre, para entrar na Bienal.

Dentro no pavilhão laranja, após uma corrida cinematográfica até o stand da Rocco, que ficava no pavilhão azul, eu alcancei a ainda pequena fila dos educados fãs de Anne Rice, que não só se comportaram, como ajudaram o pessoal da Rocco a se organizar, pois eles ficaram surpresos ao ver que todos estava ali às 10 da manhã para pegar as senhas, que só seria distribuídas às 15 horas.

Eu tremia, só não sabia se de emoção por consegui ser uma das primeiras e garantir o autógrafo da Anne Rice, ou se pela agressão sofrida pelas beatas. Uma coisa é certa. Daqui por diante, além da fobia de aranhas, agora terei fobia das beatas do tal padre.

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