quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Entrevista com o autor Edson Gomes

O Fantastiverso, grupo de autores de literatura fantástica que escrevem sobre os mais diversos seres sobrenaturais; reuniu 6 de seus membros em um evento no Rio de Janeiro mês passado.

Graças a inovadora iniciativa do Novos Escritores, que atualmente leva a zona norte carioca eventos literários de qualidade, tive a oportunidade de conhecer 6 talentos de nossa atual literatura fantástica nacional, numa bate-papo animado na Nobel do Norte Shopping.

Agora trago um pouco mais sobre cada um, em 6 ótimas entrevistas. A primeira é com o autor Edson Gomes.

Elaine Velasco, Ben Green, Lu Piras, Edson Gomes, Jessica Anitelli e Livia Lorena.

Edson Gomes é jornalista, roteirista, romancista e contista. Nasceu no Rio de Janeiro e tem a cidade maravilhosa como cenário de seu mais novo livro, 'Psiquico' da Editora Dracaena.

Quando falamos do Rio de Janeiro, geralmente os bairros a beira mar, como Copacabana e Leblon, que são sempre os mencionados, ou mesmo alguns outros da região mais antiga da cidade.

No entanto, o autor inova ao mostrar uma parte do Rio de Janeiro que pouco gostam de relatar em livros, lugares praticamente desconhecidos, até para quem mora no Rio, como é o caso das "terras de Jacarepaguá" que alguns ainda lembram como mata de jacarés, animal que dá nome a região, como é relata em filmes antigos da era de ouro do nosso cinema nacional.

Lugares como a Praça Seca, ruas e também os outros bairros das proximidades, são os cenários do novo livro do autor.

Na busca de diálogos bem trabalhados e realistas, Edson Gomes fez uma detalhista pesquisa junto a amigos da doutrina espírita e mesmo se tratando de uma história de literatura fantástica, se preocupou em tornar o texto mais rico e intressante, enriquecendo-o com detalhes sobre o tema.

ENTREVISTA COM EDSON GOMES:

CONTOS SOBRENATURAIS: Como surgiu a ideia para história? Trata-se de uma história já fechada (com começo, meio e fim) ou você se deixa levar pelo ato de escrever?
EDSON GOMES: O enredo de Psíquico surgiu, quando eu estava assistindo a tevê na hora do noticiário e uma matéria jornalística me chamou a atenção: Um homem havia sido salvo por uma caneta Bic, que o projetil resvalou vindo de um revolver calibre 38, em um assalto. Fiquei pensando naquilo durante muito tempo. Logo em seguida apareceram outros casos tão escabrosos quanto o primeiro. O caso da mulher, que sobreviveu no meio das ferragens, depois de ter seu veículo imprensado na traseira de um ônibus por uma carreta, por exemplo. Detalhe: ela só quebrou o braço e no dia seguinte estava em casa assistindo a reportagem, que ela foi a protagonista. Casos de bandidos que cometem crimes bárbaros e se entregam a polícia por não aguentarem a perturbação espiritual.
Eu queria saber o porquê desses fatos. O que levava a decisão de um ser morrer ou viver? Havia alguma justiça divina que determinasse isso? Foi a partir de perguntas como estas, que comecei a pensar em um enredo.
Sobre o início da escrita propriamente dita, eu, quando sento diante do computador, já tenho a história quase toda na cabeça. Mania de quem fez cursos de roteiro para tevê e cinema. Eu imagino o clímax para se chegar ao final. Semelhante a uma corrida, quando você precisa chegar até a bandeirinha vermelha? Lá é o meu clímax. Então, eu sei que falta pouquíssimo para o final.


C.S.: Tem em vista alguma continuação, já que hoje há muitos autores escrevendo livros em série?
E.G.: Eu não tenho o costume de continuar uma história que findei, porque os autores que mais gosto e li não faziam séries, são eles: Sidney Sheldom, Francis Scott Fitzgerald, Mario Puzo, Edgar Alan Poe, Frederick Forsyth e Júlio Verne.

C.S.: Qual seu personagem favorito? Tem algum que você gosta mais que os outros, ou que seja homenagem a alguém querido?
E.G.: Bem, eu adoro meus personagens de paixão, mas têm dois que gostei muito de construir, foram o português Joaquim de Oliveira, dono do restaurante do centro do Rio de Janeiro, onde almoçavam os personagens principais, e o pequeno João, filho de Vera, a viúva de Guilherme. Eles ficaram tão naturais no jeito de ser, que me encantei no momento em que escrevia sobre eles.
Também fiz uma homenagem a três mulheres maravilhosas, que me ajudaram muito na minha pesquisa sobre o espiritismo. Quem encontrar os nomes: dona Irene, Mariazinha e Márcia, não se preocupem, elas existem e são do jeito que estão descritas no livro. Uns amores de pessoas.


C.S.: Porque escolheu escrever uma história de literatura fantástica com o espiritismo como foco?
E.G.: As três mulheres da resposta anterior foram a inspiração para a aventura de Rafael Duarte, o médium. Eu costumava ir na casa delas em Botafogo em alguns finais de semana para conversar sobre vários assuntos do cotidiano e foi aí que surgiu a curiosidade sobre as pessoas escaparem de acidentes fatais. Então, elas me disseram que cada um de nós temos um tempo determinado de permanência aqui. Almas que desencarnam bruscamente, costumam vagar por algum tempo entre nós, sentindo fome e até frio. Li o livro dos Médiuns de Allan Kardec e lá é relatado alguns casos ligado a isso.
Porém, aviso aos leitores desavisados, que Psíquico é um romance ficcional e não um livro doutrinário, ou de estudos. Ele não foi psicografado por nenhum espírito, apenas a doutrina espirita é o pano de fundo da história. A minha intenção é mostrar de alguma maneira leve e descontraída como a justiça divina nos faz reconhecer os nossos erros, até que aceitemos o nosso próprio perdão. É a mediunidade a favor da justiça. Onde a justiça dos homens não vai, a divina repara e condena sem influências externas os seus culpados.


C.S.: Soube que anda participando de eventos de incentivo a leitura e divulgação da literatura fantástica pela zona norte do Rio, como por exemplo um que aconteceu no Alemão. Fale um pouco desse evento.
E.G.: É um projeto maravilhoso feito pelo pessoal do Recicla Leitores. Eles fazem campanhas de arrecadação de livros para serem entregues nas comunidades do Estado do Rio de Janeiro, tendo como principal objetivo levar a paixão da leitura a essa população. Eles são de São Gonçalo, mas possuem vários pontos de arrecadação de livros espalhados pelo Rio.
O evento no Teleférico do Alemão no Complexo do Alemão foi uma festa de aniversário do Recicla Leitores, com a distribuição de livros que foram arrecadados para as crianças e adultos, fora apresentação musical com o grupo Cantando Livros e teatro de palhaços e poesia.
O site Novos Escritores, através do Djan Skwar, entrou em contato comigo perguntando se eu queria participar e aceitei juntamente com outras autoras maravilhosas e talentosas. Foram elas: Adriana Brazil (Outono de Sonhos); Carolina Estrela (Garota Apaixonada e Garota Apaixonada de Férias); Lu Piras (Equinócio – A Primavera); Thayane Gaspar (Princesa de Gelo).
Eu agora estou no grupo chamado Fantastiverso, que tem o mesmo objetivo de divulgar a literatura nacional através de eventos presenciais. São 14 autores da Editora Dracaena, que rodarão algumas cidades do Brasil, mostrando o nosso trabalho. Fora outros eventos e grupos aos quais não faço parte, mas vou lá para prestigiar os meus amigos de letras. Os autores formam uma grande família de interesses na literatura. Não importa a editora a qual pertencem, nós queremos que o público leia mais a nova literatura nacional.
Se alguma instituição ou empresa quiser patrocinar os nossos eventos, estaremos aqui prontos para divulgar o nosso trabalho. É só entrar em contato com o Djan do Novos Escritores.


C.S.: Você tem algum novo projeto em vista ou já em andamento? Se tem, também é de literatura fantástica?
E.G.: Tenho um livro que está na espera, que se chama: 'O Discípulo do Criador' (título provisório) e um que estou escrevendo agora e está na reta final que se chama: 'Um Homem de Palavra' (título provisório). Os dois são de literatura fantástica, seguindo a mesma linha sobrenatural de 'Psíquico'. Não há nada certo, mas a Dracaena está cogitando relançar o meu segundo livro com o selo da casa: 'O Último Lampejo do Crepúsculo – Uma Viajem ao Subconsciente'. Porém, como eu disse antes, nada está certo, foi apenas uma cogitação.


Sabia+: Psíquico no Skoob

O autor Edson Gomes também tem textos em antologias literárias, contos como: Papo 750; Depoimento a Deus; A Doença Benigna; De Quatrocentos ou Cem? e Os Órfãos de Renato. Também publico os romances 'Yin & Yang – A Batalha dos Opostos', além dos já mencionados na entrevista 'O Último Lampejo do Crepúsculo – Uma Viagem ao Subconsciente' e 'Psíquico - Muito além da justiça dos homens'.

Um comentário:

  1. Obrigado Anny, por mais este espaço. Gostei muito da entrevista.

    um grande abraço!!

    Edson Gomes
    http://edprod.wix.com/psquico

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