quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Editoras Nacionais Especializadas, uma luz no fim do túnel

Mesmo eufórica com a nova aventura de Lucila e Clara, o Amores Perigosos (Que devorei em 48 horas, tamanha a saudade que estava das criações de Martha Argel.), de estar deliciada e apavorada com o Kaori 2 - Coração de Vampira (Com direito até a pesadelo da zombiefóbica que vos fala... Por que zumbis Giulia Moon?!) e de estar contando os dias para o lançamento de Alma e Sangue - A Rainha dos Vampiros (Sonhando acordada com o novo encontro com os rei dos vampiros de Nazarethe Fonseca e seus súditos.); o que não vai faltar nos próximos meses são livros legais para ler e lançamentos para incluir na minha lista.

A Bienal do Livro do RJ 2011 acabou e entre boas lembranças, há algumas digamos meio chatas, mas que é bom lembrar, para não se repetirem. Eu, particularmente, fiquei aborrecida com a organização do evento (não só por quase ir parar no hospital por causa das beatas ensandecidas), mas pela falta de respeito com autores que participaram dessa 15ª edição, quando deixaram vários deles sem seu crachá de autor, nos primeiros dias.

Resolvida a questão dos crachás, não posso deixar de notar que um fato anda comum na Bienal do Rio, quanto as atenções dirigidas aos autores, a falta dela. Na minha opinião pessoal, os autores deviam ser as estrelas do evento, já famosos ou não, afinal sem eles não há livros e sem livros não teríamos uma Bienal DO LIVRO. Só que tais cuidados e atenções se limitam, em geral, aos autores estrangeiros, ou celebridades (que em poucos casos são autor de verdade, já que desconsidero biografia de "ex-reality show" ou "livros" do gênero).

Não estou questionando o trabalho dos autores estrangeiros, ou dos autores nacionais que conseguiram alcançar a fama. Pelo contrário, bato palmas, afinal todos os autores que chegaram tão longe, batalharam muito para isso e merecem todas as atenções. Seja Anne Rice ou André Vianco. O problema é que deviam divulgar, em meio aos autores ainda anônimos participantes da Bienal, os novos talentos. Sinceramente, não estou nem ai se o fulaninho da novela vai ler um trecho de livro, o que me interessa é se o que vai ler é bom. Quase bato aposta que a maioria das pessoas que foram ver a fulana e/ou o beltrano da novela lendo algum texto de livro, saiu do espaço Livro em Cena falando das celebridades e não dos livros. Inclusive a maioria dos jornalistas, que ficavam mais preocupados em registrar a presença dos artistas e não falar sobre o autor que ele representava.

Se estou numa Bienal do livro, quero saber dos autores, seus livros e da chance de sair com autógrafos em alguns deles. Além disso, descobrir que uma das tendências atuais, aqui no Brasil pelo menos, as editoras especializadas, estão salvando a vida de quem gosta de ler e vai a Bienal em busca de boa leitura.

Mesmo que algumas das minhas editoras do gênero favoritas não estivessem na Bienal carioca (como a Editora Draco, Editora Estronho, Tarja Editorial e Editora Infinitum), haviam alguns de seus autores por lá e pude trocar várias ideias. Outras tinham seus livros na Bienal, como era o caso da Editora Alph, só que não os autores, infelizmente. Também tive a chance de trocar ideia com alguns editores presentes no evento ou em visita, como foi o caso do Erick Sama da Draco (uma das editoras parceiras da rádio Digital Rio), que adorei conhecer pessoalmente.

Além disso, vi o excelente trabalho de parceria do pessoal do Selo Brasileiro, que divulgou autores nacionais de editoras diferentes. E curti muito os agitados stands da Vermelho Marinho/Llyr e da Centauro/Giz, com grande circulação de autores, fossem das editoras ou amigos. (Com isso estou com uma lista gigante de livros para adquirir nos próximos meses, fora a pilha que reuni nos dias de Bienal.)

Outra coisa que me chamou atenção nas editoras especializadas, é que enquanto as editoras grandes continuavam seu trabalho árduo de frustar os aspirantes a escritores, com as clássicas frases feitas de desincentivo; vi admirada os editores da Llyr (Ana Cristina Rodrigues) e Draco (Erick Sama), esclarecendo as dúvidas de um jovem que tinha interesse em se tornar um escritor.

Outra que deu um exemplo de como editores devem tratar os autores, foi a Simone Mateus da Giz, simpática e sempre atenciosa.

Fiquei feliz de ver que apesar dos pesares, ainda há esperança para a literatura no Brasil, vendo o excelente trabalhos feito pelos responsáveis das editoras especializadas. Muitos se esforçando para trazer seus autores de longe, mesmo que por um dia, mas não deixando de dar a chance aos leitores de conhecer os autores e seus livros.

Descobri em meio a tantos stands de tantas editoras a Underworld, que já conhecia um pouco do trabalho pela internet, mas que na Bienal mandou muito bem também, tanto com a apresentação de suas publicações e autores, como quanto a dar espaço a parcerias, como a feita com o autor Gabriel Arruda Burani da saga Hugo, O Vampiro. Conheci autores e livros bem interessantes no stand da editora, como a estrangeira Rachel Caine da série Os Vampiros de Morganville e, do Brasil, as gêmeas Mônica e Monique Sperandio autoras do livro Sete Vidas.

Essa bienal foi repleta de encontro e reencontros. Fosse reencontrar as adoráveis Martha Argel e Giulia Moon de São Paulo, ou conhecendo simpáticos autores, como Eric Musashi de 'Herdeiros dos Titãs', além de rever vários autores do Rio de Janeiro que eu adoro; o fato é que descobri muitos livros fantásticos que não vejo a hora de ler, a grande maioria brasileiro (fora os não-fantásticos, com vários títulos interessantes que me chamaram a atenção).

Também estou sabendo sobre o que vem por ai, mesmo que algumas notícias ainda sejam "projetos secretos" e não tenha autorização de falar sobre elas... Ainda. O que eu posso dizer é que os fãs de literatura fantástica e contos sobrenaturais, deviam começar a pedir pela literaruta nacional nas livrarias, pois muita coisa legal foi lançada e ainda será.

3 comentários:

  1. Infelizmente a realidade de nosso pais é essa... sempre se valendo do que é de fora e nao dando créditos e atençao aos filhos dessa pátria tao "gentil". Espero q as coisas mudem e damos graças as editoras especializando-se nos nacionais e pessoas trabalhando duro por um futuro fantastico!

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  2. Sim, há esperança! Pode ser só impressão minha, mas acredito que esse cenário desfavorável para os autores nacionais está começando a mudar. André Vianco, Giulia Moon, Eduardo Spohr, Adriano Siqueira, Martha Argel e tantos outros já consagrados do universo fantástico nacional abriram o caminho, agora a nova geração está injetando sangue novo na nossa monstruosidade literária. Outra editora muito bacana que facilita a publicação para os iniciantes, mas que não tinha estande nessa Bienal, é a Baraúna. Uma amiga está lançando seu primeiro livro com eles, e até agora o processo está fluindo lindamente. XD Parabéns pelo post!

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