quinta-feira, 31 de maio de 2012

Entrevista com o Rei dos Vampiros

No fim de semana passado, eu tive o privilégio de ser recebida pelo rei dos vampiros, Ariel Simon, para uma entrevista exclusiva.

De passagem pelo Rio de Janeiro, sedeu-me a entrevista no Copacabana Palace, onde esteve hospedado.


As únicas exigências do rei, para me conceder a entrevista, que foi previamente marcada por Nazarethe Fonseca (a autora mortal que tem permissão de relatar acontecimentos de seu império), era que não tirasse fotos ou fizesse qualquer tipo de gravação. Também teria que esperar sua partida da cidade maravilhosa antes de colocar a entrevista no blog do Contos Sobrenaturais. Isso porque o Rio, a algum tempo, atrai vampiros (e outros seres) de várias partes do mundo e nem todos fazem parte do império de Ariel Simon, muito menos seguem suas leis. Logo, todo cuidado é pouco.

Fui recebida por Togo e dois pacificadores na recepção do hotel, o mais tradicional do Rio. De arquitetura imponente, definitivamente é um dos lugares mais prezados pelos cariocas, o qual eu não deixo de admirar sempre que tenho a chance. Os funcionários do Copacabana Palace só sabiam que um figurão da França estava hospedado e que seria entrevistado por uma rádio local.

O chefe dos pacificadores me acompanhou até uma área que haviam reservado para entrevista. O hotel não estava cheio, creio que seria baixa temporada, não sei bem. O fato é que o rei dos vampiros aguardava para a entrevista em uma mesa que creio que havia sido colocada ali a pedido, onde podíamos ver o mar de Copacabana e a piscina do hotel. Ao olhar para a área da piscina, vi os dois pacificadores (que estavam anteriormente com Togo) observando o perímetro. Eles usavam roupas civis, mas eu percebi quem eram, mesmo sem Togo nada dizer, e perto dos pacificadores havia uma jovem de cabelos compridos, que olhava na nossa direção com interesse.


Togo trocou algumas palavras com Ariel, em um língua que eu não consegui enteder e nos deixou a só para a entrevista.

Ariel Simon vestia roupas elegantes, mas já que o inverno carioca é bem ameno em relação ao francês e ele não queria chamar atenção para sua natureza sobrenatural, usava um terno Armani cor de chumbo, camisa branca e gravata cor de vinho. Sapatos bem engraxados. Confesso que a visão do belo ruivo de olhos verdes cintilantes feito esmeraldas, o qual me recebeu com um sorriso charmoso, me deixou sem ar.

Após recuperar o fôlego, diante da beleza do rei dos vampiros, finalmente poderia começar a entrevista.

Observei a minha volta toda a elegância do luxuoso hotel pelo qual sempre fui fascinada, antes de me sentar diante do rei, em uma das cadeiras da mesa posta para a entrevista.

Ariel Simon fala fluentemente o português, com um leve sotaque, para minha sorte que estou com o francês a muito enferrujado e falo muito mal o inglês, mesmo que leia e entenda bem o idioma. O rei me informou que eu podia me servir do que quisesse na mesa, repleta de guloseimas e bebidas sofisticadas, mas que eu não me ofendesse por ele não me acompanhar no lanche. Dando uma piscada ao sorri com malícia. Ele tinha diante dele apenas um cálice de uma bebida escura.

Eu tinha algumas perguntas na minha lista que eram um tanto indiscretas e antes de começar a perguntar, achei prudente perguntar se tais tipos de perguntas o incomodariam.

O rei deu uma gostosa gargalhada e então falou que ele não via problema nenhum em perguntas indiscretas, desde que eu não me importasse com respostas equivalentes.

Eu pensei por um breve momento e resolvi arriscar.


Contos Sobrenaturais - Digital Rio: Desde que a existência de seu império dos vampiros chegou ao conhecimento do mundo mortal, pelas histórias escritas por Nazarethe Fonseca, há muitas fãs da escritora que estão dispostas a entregar o pescoço ao rei dos vampiros. Se envolveria com uma dessas fãs, majestade?
Ariel Simon: Primeiramente quero saber se gostou do local que escolhi para a entrevista, Anny? Estou no Rio de Janeiro a negócios e pensei que seria interessante conversarmos a beira da piscina tendo o mar de Copacabana como cenário. (Diante do sorriso radiante de Ariel a única coisa que consegui, foi fazer um gesto positivo com minha cabeça.) Nazarethe teve minha permissão para escrever sobre tudo que aconteceu nos últimos anos. Foi uma decisão que tomamos juntos, não havia mais motivos para nos mantermos a margem de tantos acontecimentos. Bem, nós sabíamos que isso traria conseqüências, uma delas é assedio. Acho que a maioria de nós, vampiros, fomos abordados por fãs da série Alma e Sangue, pelo menos, pelas mais atentas a nossa presença.

CS - DR: Dizem que o rei dos vampiros nunca dorme sozinho, tem alguma preferência? Tipo, gosta mais das vampiras, humanas, bruxas... Ou o que importa é quem são e não o quê?
(Ariel sorri misterioso e olha o mar, toma um gole no cálice a sua frente e quando fala ainda tem nos olhos o brilho estranho.)
A.S: Há momentos de solidão imposta e desejada. E saiba que de solidão ninguém verdadeiramente morre, só sofre. Eu sou apenas uma criatura que tem hábitos e se posso mantê-los o faço com prazer. Gosto quando desperto de companhia. Quero alguém que me deseje boa noite, que me receba com um sorriso, mesmo que não haja sol lá fora. Uma criatura delicada o suficiente para me prepara um banho, que me sirva um cálice de sangue. Se tudo isso vier junto com atenção feminina, eu ficarei muito feliz. Podem ser bruxas, vampiras ou humanas. O que realmente importa é que estejam dispostas a se aventurar.

CS - DR: Ainda na linha da pergunta anterior. Sabe-se que vampiros não possuem referência de relacionamento igual à humana. Mesmo sabendo que seu interesse pelo sexo feminino é grande, alguma vez aconteceu de se interessar por um homem? Se envolveria com um?
(Ariel ficou pensativo, como se lembrasse de alguém e se levantou indo em direção do parapeito que dava para a rua. Olhou o mar e depois voltou-se na minha direção.)
A.S: Houve alguém muito especial. Mas que infelizmente se foi prematuramente, e como todos os relacionamentos ele deixou boas e más lembranças. Não poderia ser diferente. Bom ter tocado no assunto, nesse século apesar de toda a liberdade, justiça, compreensão que os humanos se proclamam ter, ainda existem abusos contra crianças, mulheres, homossexuais, etnias. Eu prefiro pensar que posso conviver com tudo por ser a grande diferença.

CS - DR: Falando de relacionamento vampiresco, ainda, qual sua opinião sobre triângulos amorosos? Acredita que três seres que se amam podem viver juntos, em harmonia e felizes?
A.S: Acho que já passei por quase todo tipo de experiência nesses dois mil anos de existência, e uma delas foi um triangulo amoroso. É perfeitamente possível três pessoas se amarem e viverem juntas, basta que elas se respeitem e que o amor prevaleça. Infelizmente nem todos os triângulos amorosos terminam bem. Mas o amor tem o dom de só aumentar se cultivado.

CS - DR: Sua amizade com Jan Kmam é de muito tempo e já devem ter vivido grandes aventuras e/ou se metido em grandes confusões. Há alguma situação marcante?
A.S: Logo depois que Jan Kmam se tornou meu favorito, eu, ele, e Otávio saiamos juntos com grande frequência. Imagine só, três de nós pensando em sangue e divertimento. Boa coisa não ia sair. Seguimos para a casa de Montespan, uma das mais conhecidas e perigosas amantes de Luís XIV. Ela vivia na corte e dava excelentes jantares e festas. Sua fama era uma envenenadora, mas deixar de comparecer a uma de suas festas era um insulto, e valia o risco de ser envenenado. Misturamo-nos com os convidados. A atmosfera era deliciosa havia cheiro de assado e perfume Francês, flores e vinho. Os lustres repletos de velas, a música convidando todos a dançar. Também havia mesas de jogo e damas nada tímidas. Logo Jan e Otávio estavam acompanhados. Continuei sozinho, mas dancei com duas senhoras de quase sessenta anos. Estava procurando algo diferente, quando esbarrei com Maria Teresa. Uma linda jovenzinha de olhos tão verdes quanto os meus, sobrancelhas castanhas avermelhadas. Ouvi suas impressões sobre a festa e outros detalhes. Percebi que ela era perfeita, desejei imediatamente poder fazê-la vampira. Era tão inteligente e vivaz, me perdi nos seus olhos. Desejei poder possuí-la, desfazer seus laços... A queria para bem mais que ma noite, que só me alimentar de seu sangue. A desejava como amante. Precisava de Otávio, ele faria isso por mim. Foi quando percebi que Maria Teresa fitava Jan. Imediatamente percebi que servia de motivo para que ela se aproximasse de meu favorito. Os apresentei e discretamente afastei-me, sabia o que aconteceria, mas nada fiz. Os vi no jardim em meio às flores e arbustos. Deixei que se alimentasse dela mesmo a desejando. O vi abandonar seu corpo sobre a grama e voltar para a festa. Cruzei o jardim e fui até ela. A tomei nos braços e fiquei por longos minutos admirando a morte se apoderar lentamente de seu corpo, roubar sua juventude, calor e beleza. Uma hora depois de contemplação a deixei num canteiro de margaridas como se ela só dormisse, roubei-lhe um beijo terno e levei comigo somente um de seus brincos de perola. Um de meus tesouros. Você deve está se perguntando por que não o impedi, por que na roubei dele? Não é mesmo? A resposta é bem simples, devemos amar somente aqueles que nos amam. E não era esse o caso.

CS - DR: Todos sabem de seu desejo por uma rainha dos vampiros. Deseja uma rainha para dividir o peso da coroa, afinal ser rei pode ser um fardo? Ou busca mais que isso?
A.S: Nazarethe Fonseca fala demais. (Brincou o rei sorrindo.) Busco bem mais que alguém para dividir o peso da coroa. Desejo encontrar uma companheira, aquela criatura que poderá comigo resolver os problemas do império, manter o pacto entre vampiros e lobos de pé. Alguém que simplesmente me conte seus segredos, escute os meus, que desperte meu coração e que seja sobre ele reine eternamente.

CS - DR: Ainda falando sobre o peso da coroa, qual a maior desvantagem em ser rei? E qual seria a maior vantagem que a coroa lhe proporciona?
A.S: Existem várias, Anny, mas a que realmente me incomoda é acreditar-me livre e não o ser. E a maior vantagem é me manter ocupado e lúcido por dois mil anos.

CS - DR: É um apreciador de arte, qual momento da história da arte humana, nos últimos 2000 anos, que mais aprecia? Ou prefere algo de antes de seu nascimento?
A.S: O Renascimento, a descoberta do mundo e do homem, o Iluminismo, arte, música e literatura e finalmente a chegada do século XVIII. Muitas obras para citar minha queria entrevistadora, todavia para lhe agradar, na escultura eu aprecio o Davi, de Michelangelo. E o nascimento de Vênus, de Botticelli. Tudo isso é em minha opinião, fruto do que ocorreu no passado. Avanços? Sim, muitos, mas todos fundamentados no passado de sua história.

CS - DR: Continuando a falar da história humana, conheceu alguma personalidade histórica nesses 2000 anos de vida imortal? Quem foi e como era de verdade. Era mortal ou imortal?
A.S: Muitos minha queria Anny, e todos cheios de excentricidades, em Veneza conheci o padre ruivo, talentoso violinista, um virtuoso, um sedutor incorrigível, Antonio Lucio Vivaldi. Em Paris desfilaram inúmeros personagens trágicos, cômicos, violentos. Pintores, escultores, músicos, mortais únicos que conquistaram a imortalidade à custa de sua genialidade e nos deixaram suas obras como lembrança de sua passagem por esse mundo.

CS - DR: Os vampiros de hoje, em geral, precisam forjar suas mortes para sumirem do "radar" dos humanos, por conta de tanta tecnologia de identificação. Algo que a 2000 anos não era problema. No entanto, se tivesse que forjar a sua morte, o que escreveria na lápide de seu túmulo? Algo sentimental como fazem hoje em dia ou uma boa e velha maldição, no melhor estilo egípcio?
(O rei, Ariel Simon, observou a rua, o movimento dos carros metros abaixo e quando falou sorria melancólico.)
A.S: Aqui descansa aquele que duas mil vidas viveu em busca somente do amor.

Para fechar, algumas perguntas diretas quanto as suas preferências:
Cor favorita? Vermelho real
Perfume especial? Lavanda
Filme marcante? O Último Imperador
Uma música? Memories, Ritchie Valens
Uma cidade inesquecível? Veneza
Há algum lugar no mundo que ainda deseja conhecer? Tiber

_ Satisfeita, mademoiselle Anny? Espero que sim, agora eu preciso ir.

Ariel me pergunta, e como não possuía mais perguntas, ele curvou-se num gesto cavalheiresco, já de posse de sua mão para beijá-la gentilmente. Eu sorri. (Mas se ele leu minha mente, deve ter ouvido meu grito histérico.) Nesse momento, percebi a presença daquela jovem que nos observava ao longe, a qual se encontrava a um metro e pouco da mesa onde estávamos e ela tinha os dois pacificadores em trajes civis ao seu lado. Elegante e discreta, a jovem de olhos escuros, aproximou-se e ficou próxima ao rei Ariel. Ele estendeu a mão na direção dela que a segurou com um sorriso nos lábios.

– Como pode vê, Anny, as fãs da série estão sempre atentas.

Disse Ariel se afastando com a jovem, enquanto Togo se aproxima, para me acompanhar até a recepção do hotel.

"_ Não imagina o quanto, majestadade."

Não resisti em comentar baixinho. Porém sabia que mesmo num tom baixo e já a certa distância, o rei provavelmente iria me ouvir. Ariel parou e lançou um olhar intrigado na minha direção. Pela expressão no rosto do rei, ele também tinha captado meus pensamentos. (Que tinha roupão de seda negro envolvido... Mas vou parar por aqui, pois não quero ter que limitar o blog para maiores de 18 anos. *risos*)

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