Literatura Fantástica nas ondas do rádio




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sábado, 5 de março de 2011

Mês de São Valentim III


Piquenique nas estrelas

por Louise Duarte


Luisa e Carlos sobrevoavam o Rio de Janeiro em uma noite estrelada típica de verão. Aliás, um verão calorento demais para o gosto de Luisa. Desde que começou a controlar melhor seus poderes de bruxa, ela andou treinando diferentes tipos de magia que incluíam a arte do voo, não muito fácil para aprendizes de bruxos como sua avó Patricia sempre frisava ao mencionar os netos, Luisa e seu irmão gêmeo Lucas.

De qualquer jeito, Luisa havia começado a treinar seus poderes desde que finalmente decidiu aceitar seu destino. Ela era mesmo uma bruxa e não tinha como escapar. Está em seu DNA assim como ser repórter. Eram duas coisas de que ela não poderia fugir.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Conto XX


Blixi trabalha na posição central da esteira. Pelas janelas da Fábrica é quase impossível entrar um raio de sol, a não ser no verão, quando ele brilha pálido no céu durante longas horas. A maior parte do pessoal não gosta e prefere que se fechem as janelas, deixando a iluminação a cargo dos globos de cristalneve; é como se o inverno durasse o ano inteiro. Ou talvez o outono, a época de maior demanda, quando o Patrono pede um esforço extra a fim de aumentar a produção. Na prática, isso significa trabalhar dobrado. E como a pausa entre os turnos, quando podem sair um pouco, nunca é ao meio-dia, eles ficam vários meses sem ver a luz do sol.

Blixi é um bom operário, mas o Chefe da Oficina o vigia de perto e às vezes o repreende por se distrair. Isso vem acontecendo com mais frequência nos últimos anos, sem que haja uma razão: o ambiente não oferece novidades, muito menos o trabalho, executado com gestos medidos e perfeitos. Juntar duas peças, pregar, passar ao próximo na esteira; juntar mais duas peças, pregar e assim por diante. Não é um trabalho ruim – a ideia nem passaria pela cabeça deles – mas Blixi está ali há tanto tempo, suas mãos tão habituadas a repetir aqueles movimentos que, mesmo sem querer, seu olhar se desprende da esteira, passeando pela oficina como se estivesse em busca de algo. O quê?, pergunta o Chefe, mais ríspido e irritado a cada vez. Mas a resposta de Blixi é baixar a cabeça e voltar ao trabalho.

domingo, 30 de maio de 2010

Conto XIX


Pádua, 16 de setembro de 1938.

Giuseppe Pasqualetto, este é meu nome. Nasci no ano de 1905 na província de Pádua, Itália. Sou um jovem historiador e estou sempre em busca de elementos históricos que expliquem a minha própria existência. Confesso que meus achados arqueológicos foram muitos; antigas obras, cartas e artefatos ritualísticos. Doei a maioria destes objetos para o estudo em museus e universidades da Itália, além de que são usados para a simples contemplação dos interessados e da chamativa para o turismo local. Mas, entre estes achados, destaco uma carta datada do ano de 1627, escrita por uma religiosa da cidade de Pádua, chamada Maria di Santoriello. Todos os indícios indicam veracidade, mas pelo fator sobrenatural agregado, preferi guardá-la comigo, pois este tipo de achado, geralmente não vai para os museus ou universidades, mas para o estudo da principal igreja sui iuris do Vaticano, e jamais são expostos ao público.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Conto VIII

"Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".

Juscelino Kubistchek


Segredo da Escuridão - Histórias Perdidas

Cidade Futurista


(Texto transcrito por Kane Ryu)

Nos últimos tempos o que mais se ouvia na capital do Brasil, o Rio de Janeiro, era sobre a construção da nova capital "lá no meio do mato".

Confesso que não me contive e tive que ver com meus próprios olhos. Eu que via as belezas de cidades como Roma e presenciei a construção de Washington D.C., nos Estados Unidos, não pude resistir a curiosidade. Especialmente quanto a dita arquitetura revolucionária da nova capital, que ganhou o curioso nome de Brasília.

Já estava me acostumando com algumas costruções curiosas, que surgiram pelo Rio, de arquitetura dita moderna... Mas Brasília era uma cidade inteira, construída a partir da idéia de duas linhas se cruzando. Mais simples impossível. E seus prédios teriam o mesmo tipo de simplicidade em sua arquitetura.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Conto VII


O seu coração continuava a bater em ritmo acelerado, inspirava e expirava descontroladamente tentando acalmar-se. O homem abraçou-a, ouvia o seu medo naqueles movimentos bruscos e nas lágrimas que teimavam em deslizar pela sua face.

- Já passou. - disse o homem passando a sua mão direita pelo cabelo enquanto a esquerda segurava as mãos dela junto ao peito - Já se foi embora.

Ela engoliu em seco e levantou-se devagar, como se o que tivesse acontecido lhe tivesse absorvido todas as forças.

- Tu não acreditas em mim...

O homem olhou para os lençois desarrumados da cama onde estavam deitados quando tudo aconteceu, suspirou, não sabia o que dizer.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Conto VI


Ele nem se lembrava mais há quantos anos estava preso. Há quantos anos aquela cela escura e minúscula era o seu “lar”. Ele só sabia que era muito tempo. Mas, não se importava. Na verdade, ele preferia estar ali, naquele cubículo apertado e sombrio, onde nem um mero raio de sol conseguia penetrar. Era uma punição adequada para uma vida inteira de assassinatos. Uma vida inteira de mortes. Uma vida que, agora, ele procurava compensar com a reclusão. O total isolamento da sociedade. O esquecimento. Depois de tirar a vida de tantas pessoas ao longo dos anos, ele finalmente decidiu se entregar.

Por ter confessado e se entregado voluntariamente, ele pegou a pena máxima infligida a um condenado à exceção da morte. Afinal, morrer não seria o suficiente para expiar todos os seus pecados. Nem poderia. Ele preferia ficar “eternamente encarcerado”. No entanto, devido ao seu bom comportamento, sua pena foi diminuída e, um dia, ela terminou. Ou, pelo menos, eles decidiram que terminara.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Conto V



Scarlet sorriu. Ouviu a voz de Bing Crosby entoando White Christmas, a velha e linda canção que inicia tradicionalmente todos os Natais sendo tocada a todo vapor dentro do Macy's. Era um gelado inverno novaiorquino, as luzes das lojas e das árvores coloridas tornavam a noite tão clara como o dia. Tudo preparado para transformar mais um final de ano no grande momento do showbiz, bem ao estilo americano.

Ela sentia-se bem naquele clima festivo, adorava as músicas e os ursinhos de pelúcia nas vitrines. Se pudesse, teria em casa uma dessas grandes árvores de Natal, iluminada com centenas de velas à espera dos seus presentes... Mas naquele exato momento, tinha pressa. Estava indo ao Madison Square Garden, onde um gigantesco show de rock enchia a casa mais uma vez. Rolling Stones, argh... Tudo bem, tinha quem gostasse deles. Assim como outros optavam por grupos de estilos diversos. Sorriu, já acostumada ao horror que causava quando declarava a sua própria preferência: Britney Spears. Não ligava, ela amava músicas alegres, dançantes. No passado gostara de Chopin. Depois, de Strauss, Scott Joplin, Glenn Miller, Elvis, Beatles... Don't worry, be happy, já dizia uma outra canção... E hoje estava indo ao show por outros motivos. Começou a andar rápido, os cabelos ruivos e crespos presos por uma tiara delicada de pérolas, o rosto angelical de uma garota de dezoito anos meio oculto pela gola de vison. Seus saltos batiam de leve na calçada, as mãos pequeninas com luvas vermelhas seguravam a bolsa Chanel com cuidado. Uma vestimenta bem pouco apropriada para o compromisso, mas mesmo assim entrou sem problemas no estádio, graças à sugestão mental que enviou ao porteiro. E, do fundo do auditório, examinou com atenção a platéia.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Conto IV



Sozinha na imensa casa, agora vazia e despida de todo o seu esplendor, Christine fitava desoladamente as chamas que se moviam diante de si. No exterior, a neve caía e, ali, reduzida à miséria dos seus precocemente envelhecidos trinta e sete anos, sabia que, quando aquele pequeno fogo se apagasse, também a sua vida estaria em vias de se extinguir.

Haviam passado meses desde que regressara à sua casa há muito abandonada e a apatia a que fora reduzida era de tal modo imensa, que nem notara a acção dos anos sobre o que, em tempos, fora uma esplendorosa mansão, mas que não passava já de um edifício decrépito, invadido pelo pó e pela vegetação, consumido pelos mesmos anos que haviam consumido a sua senhora.

Fora aquele o seu lar no auge da sua glória e seria também o seu abrigo na ruína, o seu leito de morte. O pouco que lhe restava fora consumido em alimentos e lenha e, agora, já nada tinha que lhe permitisse continuar a lutar. Estava fraca, entorpecida e doente devido aos anos de reclusão. Estava a morrer.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Conto III

É um conto de vampiros, feito por Adriano Siqueira para o Dia das Crianças, mas tendo o Natal como assunto principal, incluímos na nossa seleção de contos natalinos.



Nem todo mundo tem a possibilidade de escolher presentes.
As crianças que têm famílias com baixa renda dependem da generosidade das comunidades para receber presentes no Natal e nem sempre é o que eles gostariam de ganhar.

Foi o caso da menina Berenice, que ganhou um kit completo para brincar na praia. Muitas forminhas de plástico como estrela, lua, tartaruga, para fazer formas na areia, pazinha, colher de plástico, baldinho e tudo mais que ela iria adorar, se morasse na praia. Só que ela morava em uma periferia e só havia água e barro quando chovia muito. Certamente, a sua mãe jamais aprovaria que Berenice brincasse com seu kit por lá, pois as doenças eram muitas e ela sabia que seu brinquedo jamais seria usado.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Conto II


Maya olhou para o céu noturno através da porta que dava para a sacada e sentiu que esta noite a lua não iluminaria seus passos. Não gostava de lua nova. Nem gostava dessa época de noites ruidosas, de neve artificial nas calçadas, de casas cheias de luzinhas coloridas. Tudo isso a deixava deprimida. Ergueu com a mão direita o seu jantar, que se debatia desesperadamente, e, sem mesmo olhar para o homem rechonchudo e vermelho cujo pescoço apertava com força, estalou a sua unha e fez uma punção na veia da jugular, colhendo habilmente o jato de sangue numa taça de cristal. Depois, soltou-o, fazendo com que ele desabasse estrepitosamente no chão. Ora, ela era má, extremamente má... E estava de mau humor.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Conto I

O conto de estréia aqui no blog do programa 'Contos Sobrenaturais' é de Adriano Siqueira, intitulado 'O Presente'. Esperamos que curtam a leitura, tanto quanto nós da Digital Rio.



Como sempre a minha família se reunia na sala, perto da árvore, e trazia comigo sempre meu ursinho Medley pra ver a festa!

Mas papai não vinha...e eu estava aflita esperando sua chegada para distribuir os presentes, para todos, como ele sempre fazia desde que nasci!

Mamãe sempre preparava os mesmos doces, meu irmãozinho sempre ficava perto da porta, (Ele que recebia papai que sempre se disfarçava de Papai Noel) falava sempre que eu era muito pequena para abrir a porta.