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sexta-feira, 21 de junho de 2019

#Entrevista com a autora Krystina Reish


Krystina Reish, que lança seu primeiro livro, desde a sua adolescência se envolveu com o esoterismo e o respeito à Mãe-Natureza. A autora passou um longo período de sua vida viajando pelos grotões do sertão.

'A Lei do Peiotista' é um livro da Editora Autografia e deveria contar a história sobre as viagens da autora, mas, por meio de um sonho místico, mostra personagens, lugares, vidas e culturas dos nossos “primos” do outro lado de uma América economicamente rica. (Clicar AQUI para ler a resenha.)

O livro já pode ser comprado no site da editora e o link para compra é: http://www.autografia.com.br/loja/a-lei-do-peiotista/detalhes

A autora cedeu uma entrevista para o Contos Sobrenaturais em parceria com o Portal Tabula Rasa.

CONTOS SOBRENATURAIS: Porque escolheu tribos indígenas da América do Norte?

KRYSTINA REISH: Na verdade, eu não escolhi. A história veio através de um sonho. Um velho índio veio me entregar uma planta que não soube o que era. E pela característica do seu semblante e pintura, me apareceu ser um índio norte-americano. O primeiro parágrafo e no seguinte conta como foi esse sonho.

CS: O curioso nome de seu livro, 'A Lei do Peiotista', chama a atenção. Pode explicá-lo?

KR: Tive que fazer pesquisa na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro para saber que planta era essa. Só descobri depois de um ano lendo o livro do escritor Sangirard Jr. "O Índio e as Plantas Alucinógenas - Plantas Alucinógenas, Excitantes, Narcóticas e Psicodélicas". Na verdade a planta do meu sonho era o Peiote, peyotl e mescal, cuja região estende-se no sudoeste dos Estados Unidos, especificamente, nos estados do Novo México e no Texas e no México. Porém, havia mais uma etapa a enfrentar. Logo ao acordar, tive compulsão em escrever o primeiro esboço, e assim que acabei, joguei dentro na última gaveta e só depois de 2 anos é que li o que estava escrito. E havia um nome "Ruidoso". Foram dezenas de livro lido, até que me caiu " As cartas do Caminho Sagrado" da Xamã e escritora Jamie Sams que fala do Povo Vermelho, habitante deste lugar e do Peiotismo, cujo o culto religioso nativista vinha com a mistura dos elementos místicos, da preservação cultural e da religiosidade cristã e que se caracteriza pela ingestão do peiote na Igreja Nativa Americana. E daí, foi um pulo para desenvolver o romance.

CS: O livro tem uma trama ficcional fantástica, mas há algum elemento realista nela quando fala da cultura e religião dos povos nativos norte-americanos?

KR: Sim. O livro não é só romance e nem só ficção. É também, um documento de reflexão sobre as transformações culturais e a sua perda de identidade. Essa mancha do genocídio que resultou no massacre de milhões e na destruição irreversível de várias tribos indígenas que acabaram confinados  em um "Território-Reserva". O livro "A Lei do Peiotista" levou 20 anos para se escrito. Nunca ficava satisfeita, pois, achava que tinha que contar mais. Como sempre eu digo, os genocídios indígenas aconteceram em todo continente americano que foram frutos da limpeza étnica e das ações dos madeireiros e dos fazendeiros latifundiários  que ampliaram seus domínios de terras, vide a América Espanhola ou da escravidão no Brasil e da sua monocultura e que para tanto precisavam exterminar a população nativa, e que ainda em pleno século XXI ainda não terminou.

CS: Ficcional ou não, como se inspirou para escrever seu livro?

KR: A minha resposta tem a ver com a primeira pergunta. Mas também coloco que isso se deu de um tratamento alternativo e esotérico com os cristais, pois, na época passava por um crise de separação. A minha terceira visão deve de sido acionada psiquicamente e espiritualmente nas vivências passadas. Meu avó foi casado com uma índia. Ou talvez, na maneira mais simplista, a inspiração se deu de um dever de contar um pouco sobre a saga desse povo honrado que apesar de tudo se mantiveram resistentes e orgulhosos de sua etnia.

CS: 'A Lei do Peiotista' foi lançado recentemente, tem planos de participar de algum evento literário nos próximos meses? Onde?

KR: Sim. Sendo convidada, eu tenho plano em fazer debate, conversar com as crianças e jovens de escolas e universidades. Acredito que esse é meu dever e que o índio do meu sonho deseja isso. A propósito, o livro "A Lei do Peiotista" terá uma continuação.

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