domingo, 8 de maio de 2011

Lendo e Aprendendo III

"Se não quer ajudar, não atrapalha."

Esse é um dos principais lemas na rádio Digital Rio, a qual precisou incluir entre seus posts uma espécie de política de parceria, para os que não entendiam o objetivo das parceria compreendessem o que buscamos. Porque no fim das contas os únicos que não estavam sendo beneficiados com a "ajuda" de alguns pretensos parceiros, eram aqueles que a rádio tem como foco principal, desde que iniciou o Projeto Literatura nas Ondas do Rádio, os autores.

Depois que a febre vampiresca atacou os leitores brasileiros, iniciada pelos livros da saga Crepúsculo, muita coisa boa aconteceu em relação a abertura para novos autores e suas obras, mas outros fatos lamentáveis também ocorreram. Isso porque a saga parece que despertou a irá de alguns, que ao invés de se empenharem em mostrar os bons trabalhos que estão chegando, perdem tempo falando dos que acharam ruim, especialmente os que seguem o estilo e gênero da autora.

Só que não fica só nisso, ainda vemos pessoas usando o título de "crítico" simplesmente para atacar o que não conhece, essa é a verdade. E não falo só do gênero de livro da saga de Stephenie Meyer. Falo de muitos outros gêneros e também estilos, que começaram a ter destaque e por serem diferentes são atacados.

Para quem não sabe, o clássico autor William Shakespeare era um autor popular e seus textos foram feito para o teatro. Então se atualizarmos seus textos, Shakespeare deixará de ser um brilhante contador de história? Claro que não.

O que eu ando vendo por ai, é muita gente que fala defender o incentivo a leitura, que além de ter uma visão radical e limitada, critica autores novos, como se eles tivessem que escrever como autores de 100 anos atrás, ou pior, como se todo mundo já tivesse nascido um autor perfeito. A maioria dos bons autores tiveram que ralar muito para alcançar o sucesso e serem reconhecidos. Agora o mais lamentável é ver algumas pessoas que atacam o trabalho de autores, simplesmente, por não ir com a cara da pessoa, independente se a obra é boa ou não.

Quando um autor escreve, ele escolhe o estilo e gênero que vai se adequar a história que quer contar, não se trata apenas de ter uma boa redação. Pessoas que escrevem bons textos, podem não ter boas ideias para uma história, como outros com boas ideias pode precisar de ajuda para desenvolvê-las. O problema é que a maioria quer só falar mal e apontar os erros. Poucos são aqueles que buscam dar uma ajuda aos novos talentos em potencial, com críticas construtivas. Muitas vezes um gênio é esquecido por simples ignorância. E não vou nem falar de autores iniciantes, essa semana falei no Seleção Digital de um que por um tempo foi a estrela de nossa literatura, o qual foi quase apagado da história por ignorância e radicalismo. Falo do autor Coelho Neto.

Quando resolvi produzir o Contos Sobrenaturais eu fiz uma promessa de só divulgar coisas que eu gosto, ou indicação de membros e parceiros da rádio. E por quê? Para ter propriedade ao falar de algo.

Infelizmente tem muita gente que tomou o título de "crítico", com uma triste motivação para acabar com o diferente e novo por pura ignorância. E não falo de ignorância apenas por seus textos ofensivos, falo também de pessoas que bancam os "donos da verdade". Um exemplo, é alguém com uma formação clássica, que leu meia dúzia de livros de autores contemporâneos e diz que os velhos autores que sabiam escrever. Eu me pergunto, como uma pessoa que só conhece bem um tipo de literatura, pode afirmar que o antigo que era bom. (Lembre-se sempre de Shakespeare, que foi bom em sua época e é ainda hoje, não por seus textos antigos, mas por suas histórias e personagens.)

E porque temos que nos prender a apenas um estilo de escrita, quando temos hoje tantas formas de contar uma história. Ok, vamos ser tradicionais, ninguém escreve mais nada, todo mundo sentado envolta da fogueira para escutar uma história. Porque é assim que se fazia no passado, já que a maioria não sabia escrever.

Não estou falando mal do clássico, mas não vejo textos de linguagem complexa ou desatualizada, como sinônimo para boas histórias. Defendo a abertura e aceitação do novo, assim como defendo que os bons autores da antiga, tenham seus textos atualizados (para melhor entendimento das novas gerações) e repuplicados.

Tudo é questão de não repelir o novo, deve primeiro experimentá-lo, às vezes mais de uma vezes, pois nem sempre a primeira impressão é boa. ;)

Já ouvi gente dizer que a internet acabou com a boa literatura, os mesmos que geralmente acham que um e-book não é livro. Eu discordo. Acho que graças a internet e a nova tecnologia ligada aos e-books (que não é o mesmo que livro copiado de forma ilegal e disponibilizado na internet), assim como as editoras que estão investindo em publicações digitais (como a Editora Infinitum), que autores que não teriam chance a 10 anos atrás, estão conseguindo mostrar suas histórias como são e atingindo assim seu público alvo. O que significa que o leitor está tendo a chance de ler algo por prazer e não por obrigação, pela primeira vez na nossa história. Porque para incentivar a leitura, temos que tirar da cabeça a ideia que ler é igual a dever de casa e não dá para fazer isso tendo que engolir clássicos de linguagem desatualizada ou autores que são obrigado a escrever suas histórias exatamente com a 100 anos atrás, para conseguir aceitação.

Por isso, no Contos Sobrenaturais temos histórias descontraídas e de linguajar coloquial, assim como textos mais complexos, pois queremos dar a chance do ouvinte/leitor escolher. E dos autores crescerem, não desistirem, por não conseguir seguir a velha escola.

Aqui não há lugar para críticas comparativas, especialmente quando temos autores de estilos diferentes. Que tipo de crítica é dizer que "Crepúsculo não é um Drácula"? É óbvio que não é! Crepúsculo é um romance contemporâneo, para dizer o mínimo, e Drácula é um terror clássico.

Outra coisa irritante é a motivação de alguns "críticos" em atacar os autores brasileiros, os acusando de "copiar" os estrangeiros, por exemplo, quando se trata da literatura fantástica. Porque o Brasil não tem uma tradição em literatura fantástica, não quer dizer que não somos capazes de escrever sobre o assunto e até criar um novo estilo, bem brasileiro. No entanto, também não dá para fazer algo sem uma fonte de referência e como não há uma tradição, temos que buscar fora. Só não dá para inventar sem conhecer, ai sim, vai fazer uma bela tosqueira e dar motivo para falarem mal. (Como infelizmente acontece no "cinema fantástico" do Brasil, onde ainda temos cineastas produzindo filmes mal feitos e dizendo que é "estilo brasileiro", ou pior, os que acham que "cinema fantástico" é o mesmo que filme da Xuxa.)

Lamentável também são alguns posts enormes de resenhas que falam só mal de um livros, ou por não gostar, ou por não conseguir entender a história. E digo isso, porque li algumas dessas resenhas e fiz questão de ler os livros e o diabo nunca era tão feio como pintavam, pelo contrário, gostei da maioria deles.

Também tem o caso peculiar de autores que não tem formação literária, como alguns jornalistas ou roteristas (cinema, TV ou quadrinho), que são atacados e taxados de escritores ruins, quando na maioria dos casos usam só sua forma de narrativa diferente. Bram Stoker morreu antes de ver o sucesso de seu trabalho, por ter optado por escrever Drácula em formato de diários e cartas, além de outras críticas pertinentes da época. Stoker só não teve a má sorte do autor brasileiro Coelho Neto (que está sendo resgatado das sombras, graças a Infinitum), porque o criador de Drácula teve sua história salva pelo cinema e imortalizada na figura do ator Béla Lugosi. (Infelizmente isso aconteceu após a morte de Stoker, que não chegou a ver o sucesso de seu trabalho.)


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Com esse texto eu convido aqueles que realmente querem ajudar, a sempre pesquisar sobre o que está falado. Evitar partir para ofensas, que falar mal de algo para defender o seu ponto de vista, não vai fazer o que gosta melhor.

Atuamente temos uma grande quantidade de boas histórias por ai, independente de estilo dos autores, se são tradicionais ou não, então busquem aquele que gosta e fale com propriedade. Nunca juguem o livro pela capa, porque algumas vezes até a mais assustadora imagem, pode fazer uma pessoa correr apavorada e atrair outra, por despertar a curiosidade e não o medo.

Como dica para conhecer novos autores e seus trabalhos, tenho o prazer de indicar o novo parceiro da rádio Digital Rio e do Contos Sobrenaturais:


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, o blog deseja levar para os leitores de nosso país e aqueles que estão morando fora do Brasil, nesse exato momento, as notícias mais quentes. O blog foi feito para ser um lugar para ficar sempre atualizado com o que está acontecendo na área literária brasileira. Com à atual demanda de novos autores e suas respectivas obras, o blog é um lugar para eles divulgarem seus trabalhos, os já publicados ou os que estão por vir.

O Mundo da Literatura está reunindo os autores brasileiros e convidando-os a mostrar toda a criatividade do nosso povo.

Então vamos ajudar a divulgar a boa literatura mundial e também a boa literatura brasileira. Sem preconceito.

Porque as boas histórias não se prendem a uma forma de contar, ela conquista por qualquer meio.

3 comentários:

  1. Adorei o que você escreveu!O legal é ter uma boa história,não adianta criticar algo que não conhece ou criticar um genero só porque leu um livro e não gostou!Por exemplo eu,não gosto muito de romance sem o tom do mistério e coisas sobrenaturais envolvidos,mas não é por isso que eu vou criticar escritores ou pessoas que leêm esses tipos de livros,até porque já li um romance desse tipo e adorei.Os "criticos" não deveriam agir assim,isso é tolice.
    Apoio totalmente o que você disse! :D

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  2. Ah, que beleza de texto!
    Sinceramente, muitos Blogs perderam a noção do significado "parceria". Se baseiam na desculpa de comprometimento com a verdade, mas se esquecem de que eles não são os donos dela.
    Post perfeito!
    Beijos

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  3. Adorei!E concordo plenamente!
    A leitura é livre e aberta a todos, nao vejo sentindo algum ficar criticando uma coisa porque nao gosta...
    Tem muito escritor brasileiro bom por ai, Nazarethe Fonseca foi um achado, vi em um blog o livro dela, me interessei li e me apaixonei por sua historia e seus personagens...e assim comoelas tem muitos outros por ai
    Acho que as pessoas devem estar aberta tanto para o novo, quanto para o que ja existe por ai.
    Gente ler é bom demias!E viajar no tempo, nos sonhos...

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